Dia Mundial da Doença de Alzheimer

No dia 21 de Setembro assinala-se o Dia Mundial da Doença de Alzheimer. Esta doença é a causa mais comum de demência nos idosos, estimando-se que afete mais de 55 milhões de pessoas, sendo que a sua prevalência tenderá a aumentar, uma vez que as pessoas têm uma cada vez maior esperança média de vida. Estima-se que esta seja uma doença subdiagnosticada ou normalmente diagnosticada de forma tardia. De igual forma, os cuidados de saúde e sociais muitas vezes não estão preparados e alerta para responder de forma adequada a estas pessoas.


Esta é uma doença neurodegenerativa e progressiva do cérebro, causada pela perda acelerada de neurónios. Resulta da acumulação anormal de proteína “beta-amiloide e de agregados intracelulares de proteína “tau. O sinal mais precoce da doença são os esquecimentos de acontecimentos recentes (perdas mnésicas), sendo seguidos posteriormente pelo aumento da confusão e desorientação, prejuizo de outras funções (liguagem, funções executivas, etc.) e, em última instância, incapacidade de realizar atividades diárias.

Alguns dos sintomas da doença são: 1) Perdas de memória; 2) Problemas em usar a linguagem e discurso vago; 3) Alterações nos afetos e na personalidade; 4) Desorientação/Confusão; 5) Problemas na realização das tarefas diárias; 6) Comportamentos desadequados; 7) Deterioração de competências sociais; 8) Dificuldade em planear ou resolver problemas; 9) Trocar o lugar das coisas; 10) Diminuição da capacidade de discernimento.


Para além do impacto direto desta doença na pessoa portadora, não podemos descurar o impacto (físico e psicológico) que esta acarreta para os seus cuidadores, sejam eles formais ou informais. Numa outra dimensão encontram-se também os impactos indiretos a nível social e económico. Desta forma, importa alertar para todos os impactos desta doença muitas vezes silenciosa e incompreendida.

Atualmente, ainda não existe cura para esta doença, apesar de existirem esforços nesse sentido e estarem disponíveis alguns fármacos com potencial retardatório para os doentes (como é o caso da “memantina” e do “donepezilo“). Em termos de intervenção, aquilo que é preconizado para além da medicação, passa pela reabilitação neuropsicológica e pelo treino/estimulação cognitiva. Esta intervenção combinada tem mostrado resultados promissores no retardar da doença e no adiamento da perda de funcionalidade diária.

Para além desta intervenção remediativa, importa alertar para os seguintes aspetos preventivos: 1) Prática regular de exercício físico; 2) Alimentação equilibrada e saudável; 3) Estimulação cognitiva diária; 4) Manter e aprofundar atividades de vida diárias; 5) Socialização e convívio. O apoio e o trabalho próximo com os familiares e cuidadores destas pessoas permite que exista dignidade para a pessoa doente e a prevenção de estados patológicos no cuidador.


Psicólogo Clínico e da Saúde na ECSM-DL:

TIAGO M. G. CRUZ

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